23 de ago. de 2007

PÉ NA ESTRADA: NHANDUTIBA (MG)

Uma pequena amostra da vacada de Virgínia Pastor no semi-árido mineiro.
Esta foto foi feita no dia
20 de agosto em plena seca.
O gado está no posto com sal mineral. Sem uréia.

Manga (MG) – O município de Manga está situado no semi-árido mineiro, no alto médio vale do rio São Francisco, localizado à margem esquerda do mesmo rio.

A população é originária, conforme consta nos anais da história manguense de caboclos, escravos e naturais de Pernambuco que ali se instalaram com o ex-governador das Minas Gerais, um dos líderes dos emboabas. Manga tem 23.999 habitantes, conforme senso de 2006 e foi fundada em 7 de setembro de 1923. O distrito de Nhandutiba fica a 38 quilômetros de Manga e é lá que fica a Fazenda Cachoeira, com 4.500 ha, de propriedade de Virgínia Pastor (foto), uma professora universitária que recebeu do pai o gosto pela raça Gir. De Goiânia a Manga são 1.160 km. A distância de Manga até Belo Horizonte é de 720 km. Para se chegar à Manga é preciso atravessar o Rio São Francisco de Balsa (foto). Carro de passeio paga R$=11,00 e passageiro comum não paga nada. Só veículos.

AS ESTRADAS

Saí de Paraopeba (MG) no domingo as 13 horas e parei em Montes Claros (MG) para abastecer, em Jaíba (MG) para dar um telefone e depois na margem do São Francisco para tomar a balsa. Cheguei à margem do velho Chico às 20:30, depois de 8 horas e 30 minutos dirigindo. Por sorte a balsa já estava saindo e as 22:30 estávamos, eu, Virgínia e Adilson (irmão de Luiz Tito – cunhado de Virginia) tomando uma cerveja e comendo filé de traíra no restaurante Barranco, em Manga. Nesta etapa da viagem, vale destacar a qualidade de alguns trechos da estrada, como o de Montes Claros até a margem do Rio, passando por Janaúba e Jaíba. De Paraopeba (MG) até Montes Claros (MG) a estrada está sem buracos, mas a operação tapa-buraco deixou (como diz Virginia) a estrada cheia de calombos, que dificulta a direção e deixa o motorista sob tensão o tempo todo.

FAZENDA CACHOEIRA

Depois dos deliciosos filés de traíra (isso tem em todo lugar), fui dormir no Hotel Manga. No dia seguinte pretendia sair o mais cedo possível, mas meu carro ficou preso atrás de outros veículos de hospedes que chegarão depois de mim e o funcionário do hotel só chegou às 7 horas da manhã. Mas as 8:30 já estava com bagagem e tudo dentro da camionete Ranger de Virgínia rumo à fazenda. Logo na saída da cidade, na estradinha cheia de areia, deu para perceber a vegetação completamente seca, arvores de pequeno porte e sem uma folha se quer. Parecia que tinha aplicado herbicida.

Virginia ao volante, subindo e descendo montes de areia, contando as histórias do lugar. A Fazenda Cachoeira, na verdade, pertence à família de Virginia, sua Mãe, Loudes e duas irmãs. Mas ela, que há 6 anos, toca a fazenda. Recebeu a Fazenda, após da morte do pai, Raymundo Pastor, um advogado e ex-prefeito de Manga, completamente desorganizada. Os empregados praticamente que mandavam, o gado estava sem o menor controle, as pastagens encapueiradas e a casa carecendo de uma reforma. Pra encurtar conversa, de lá pra cá, ela organizou a fazenda. Trocou a pionada, recuperou vários hectares de pastos, fez cercas, fez alimentos para o período seco do ano, registrou praticamente todo o gado como L.A. (Livro Aberto), reformou a casa da sede, abriu mais pastos. Nesse intervalo, teve que enfrentar uma tentativa de invasão da sua propriedade promovida por sem terras. Lutou, resistiu e hoje a fazenda está controlada. Neste ano já nascem os primeiros produtos PÓ (Puro de Origem), oriundo dos cruzamentos com a vacada crioula da fazenda.


GIR NO

SEMI-ÁRIDO

O meu interesse maior era ver como estava o gado de Virgínia em pleno semi-árido. Mais de 1000 animais. Foi uma surpresa. A vacada solta no pasto e nas soltas (mata seca) está gorda, em bom estado e sem nenhum sinal de que passa fome. A fazenda tem muita comida: pasto seco e gramíneas nativas também secas, que o gado come.


O GADO

A base do gado de Virgínia, mesmo a vacada crioula oriunda do seu pai, tem origem em touros de João Feliciano Ribeiro, pai de Onofre Ribeiro. Portando é um gado de cor vermelha, de porte médio e grande. Não vi nenhuma vaca pequena. A Fazenda ainda não está ordenhando o gado. A bezerrada está solta com as mães mamando todo o leite. Virgínia diz que está investindo no crescimento dos bezerros. Mas em 2008 ela começa a ordenhar o gado. Diz que ainda não ordenha porque não tem o que fazer com o leite produzido. Irá instalar um tanque de resfriamento, ordenhar os animais e fazer controle leiteiro.

Mais detalhes, poderá ser vistos na próxima edição da Revista Nova Girbrasil. Inclusive fotos.

Mapa de Minas Gerais, com a localização do município de Manga (MG). A cidade fica a 50 quilômetros da divisa com a Bahia. A linha vermelha é (mais ou menos) o trajeto que fiz de carro voltando para Goiânia. - (Rosimar Silva)

3 comentários:

Anônimo disse...

Amanhã publico a foto da balsa e outras fotos interessantes desta viagem.

Anônimo disse...

muito boas as suas matrizes dava para vermos pelas fotos a carectirizaçao, gostaria de saber a limhagem, pois deve ser animais adapatados.

Acadêmicos de Geografia Kamilla e Ueldê disse...

Caro Rosimar "desbravador do Gir", indo aos rincões do sertão para nos mostrar a multifuncionalidade da raça, meus parabéns e parabenize também D.Vírginia.